ISSN (on-line): 2177-9465
ISSN (impressa): 1414-8145
Escola Anna Nery Revista de Enfermagem Escola Anna Nery Revista de Enfermagem
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CAPES

Volume 21, Número 2, Abr/Jun - 2017



DOI: 10.5935/1414-8145.20170038

PESQUISA

Dando sentido ao ensino do Brinquedo Terapêutico: a vivência de estudantes de enfermagem

Laura Maria Sene Carelli Barreto 1
Edmara Bazoni Soares Maia 1
Jéssica Renata Bastos Depianti 1
Luciana de Lione Melo 2
Conceição Vieira da Silva Ohara 1
Circéa Amália Ribeiro 1


1 Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
2 Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, Brasil

Recebido em 05/11/2016
Aprovado em 27/02/2017

Autor correspondente:
Edmara Bazoni Soares Maia
E-mail: edmara@ronaldomaia.com.br

RESUMO

OBJETIVO: Compreender o significado atribuído pelo graduando de enfermagem quanto ao ensino e à prática do Brinquedo Terapêutico (BT) no Curso de Graduação em Enfermagem.
MÉTODOS: Pesquisa qualitativa, realizada à luz do Interacionismo Simbólico. Participaram 17 estudantes de enfermagem de uma universidade pública, sendo os dados coletados por meio de entrevista semiestruturada e analisados pela Análise Qualitativa de Conteúdo Convencional.
RESULTADOS: Possibilitaram compreender o significado atribuído pelo graduando de enfermagem ao ensino do BT no curso de graduação, como uma intervenção necessária e importante para promover um cuidado de enfermagem qualificado e humano; em vista disso, seu ensino deve ser garantido aos alunos de graduação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Espera-se que seus resultados contribuam para uma reflexão sobre o ensino do BT, visando que esse conteúdo ultrapasse as fronteiras da sala de aula e da prática acadêmica, favorecendo a sensibilização do aluno para sua utilização futura, quando enfermeiro.


Palavras-chave: Jogos e brinquedos; Estudantes de enfermagem; Ensino; Enfermagem pediátrica

INTRODUÇÃO

As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem definem que a formação do enfermeiro tem como objetivo dotar o profissional de conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades que incluam atenção à saúde, tomada de decisões, liderança, administração e gerenciamento, educação permanente e comunicação eficaz. Esta última impõe que os profissionais devem ser acessíveis e manter a confiabilidade das informações, envolvendo a comunicação verbal, não verbal e habilidades de escrita e leitura.1 Isso posto, faz-se necessário repensar no ensino de comunicação na Enfermagem Pediátrica.

Em sua assistência diária, o enfermeiro pediatra deve inserir o respeito aos direitos da criança e seus representantes legais, sobretudo, no que se refere ao exercício de sua autonomia relacionado à tomada de decisão, com base em informações adequadas e compreendidas por todos. Deve, ainda, estimular a participação gradual da criança, respeitando seu desenvolvimento cognitivo e sua capacidade de compreensão,2,3 inclusive no que se refere à realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos.3

Todavia, há evidências que as crianças ainda não têm sido incluídas nas conversas estabelecidas entre os profissionais e familiares a respeito de sua saúde, sobretudo, as menores de 10 anos, havendo falta de investimento na comunicação dos profissionais com as mesmas, o que ressalta a necessidade de os profissionais da saúde aprenderem como comunicar-se adequadamente com elas, informando-as sobre a doença e respondendo às suas dúvidas.4,5

No que tange à comunicação com as crianças, um dos métodos que vem merecendo destaque na literatura é o Brinquedo Terapêutico (BT), que é utilizado pelos enfermeiros para explicar às crianças os procedimentos a que serão submetidas, além de auxiliá-las a manifestar seus sentimentos em relação a situações desconhecidas e desconfortáveis, a exemplo da doença e hospitalização.3,6,7

Sua utilização pelo enfermeiro na assistência pediátrica é permeada por inúmeros benefícios não só à criança, que passa a compreender melhor o que ocorre com ela, ficando mais tranquila, segura e colaborativa, mas também, à família, ao enfermeiro, à equipe e ao ambiente de cuidado.7

Na literatura internacional seu uso é ressaltado como tendo um alto valor terapêutico para a criança, contribuindo não só para a melhora física, como para seu bem estar emocional,8 para a diminuição da dor e do estresse frente à vivência de procedimentos como punção venosa,9 curativo,